Vemos notícias espalhadas por todo o mundo da internet sobre como os veículos no exterior são muito mais baratos que aqui. Já existem veículos de notícias e inclusive nosso blog, falando sobre as vantagens de importar um veículo por ficar mais barato. Porém será que é mesmo sempre assim? Será que sempre os veículos lá fora vão sair mais baratos que os comprados aqui?

Nossa análise  vai levar em consideração não apenas números, mas dados qualitativos também. Por que é importante ressaltar isso? Para que ninguém depois diga que não levamos em consideração todas diferenças entre veículos fabricados ou montados aqui e veículos fabricados ou montados lá fora.

Entendendo o regime CKD: Completely Knocked Down

Você ouvir muito isso, principalmente para motocicletas, apesar de algumas montadoras de carros também adotarem este regime. Basicamente, a montadora responsável traz as peças do veículo para o Brasil e os monta aqui em alguma montadora, normalmente alugando o espaço para uso. A exemplo, a BMW faz isso com suas motocicletas na fábrica da Dafra na Zona Franca de Manaus. O que isso traz de benefícios?

Ao fazer isso, as fabricantes conseguem cortar vários impostos e recebem incentivos pois geram empregos no Brasil. A maioria das empresas de veículos começa neste regime no país e depois começa a construir suas fábricas aqui.

Entendendo a importação de veículos

Você vai pagar uma tonelada de impostos. Verdade seja dita, é mais do que o dobro do valor do veículo, sendo um 0 km. Você terá de conseguir uma empresa especializada na importação de veículos, confirmar a confiabilidade da mesma, garantir a segurança de seu veículo até o Brasil e muito mais. Muito pouca gente conhece a importação de veículos como opção e podem, por isso, estarem um pouco receosos. Não há motivo para tal: a importação de veículos para o Brasil é completamente legalizada e, quando feita com uma empresa idônea e renomeada, traz só alegria ao dono do veículo.

Os preços dos importados nas concessionárias brasileiras

Regra básica de economia: se as pessoas pagam valor x, por então cobrar menos do que x? É partindo deste princípio que dificilmente veremos uma baixa nos preços de veículos no Brasil, salvo em tempos de crise pesada. Principalmente no ramo de carros importados, com o constante crescimento da classe média no Brasil, é mais provável que vejamos um aumento nos preços. Por que isso acontece?

Quando você está na rua e vê um Camaro. Qual seu primeiro pensamento? Você pode odiar a pessoa, falar mal de 30 gerações daquela pessoa, criar história sobre quantas pessoas ele roubou para tem aquele carro dos sonhos. A maioria desses pensamentos vem de inveja e uma vontade de você ter aquele carro. Afinal, você olhou para o carro e por mais que não goste dele, ele chamou a sua atenção.

Um carro desses chama a atenção não apenas por seu bonito. Chama atenção também por ser caro, custando em média R$200 em uma concessionária brasileira. E pagar todo esse valor no Brasil te dá status. E é aí é que está o ponto da nossa questão.

Poucas pessoas no Brasil querem trabalhar um pouco a mais para comprar um importado mais barato. A exemplo, o Camaro importado de forma independente chega a custar menos de R$150 mil. E essa é só a ponta do iceberg. O problema é que o brasileiro acha que pagar mais caro é status e não se importa em pagar mais caro, alimentando a ganância das importadoras “autorizadas” e encarecendo os importados aqui ainda mais.

Importando veículos para o Brasil

Importar veículos é sempre uma vantagem. Você só precisa saber quais são elas. (Foto: epocanegocios.globo.com)

As lojas que vendem veículos de regime CKD

Veja bem, uma empresa que não quer investir no Brasil para construir seus veículos aqui, eu entendo perfeitamente. Nosso país é um grande desastre em infraestrutura, mão de obra, burrocracia e muito mais. Agora, se você quer vender mais barato aqui e conquistar nosso mercado, usar o CKD é uma desculpa esfarrapada para trazer os “restos” lá de fora para vender aos brasileiros. Restos? Como assim? O que quero dizer com isso?

Vou usar de novo o exemplo da BMW. Mas antes, queria só ressaltar uma coisa: sou apaixonado pela BMW e acho que qualquer moto da marca, por mais “resto” que seja, ainda é muito melhor que qualquer topo de linha do Brasil. Porém, não sou trouxa e entendo suficiente de economia e da indústria automobilística para saber quando querem me fazer de bobo.

Pois bem, continuando, a BMW traz suas motos para o Brasil em regime CKD. Poderia muito bem com isso trazer suas melhores motos, com as melhores peças. Mas não é isso que vemos. Enquanto lá fora já temos a BMW F800 GS Adventure, por exemplo, aqui só temos a F800 GS básica. As atualizações que saem lá fora chegam aqui com 1 a 2 anos de atraso. Em suma, recebemos aqui basicamente o que as pessoas não querem mais lá, os restos, as sobras dos veículos bons.

Em regime CKD, os preços não são tão diferentes assim. A exemplo ainda da F 800 GS, o modelo com ABS nos EUA (item de série) sai a $13,550 (em torno de R$31.000). Já o mesmo modelo da F 800 GS no Brasil sai a R$43.000. Se você levar em consideração os custos de importação da BMW, você vai ver que o preço vai ficar quase igual ao da brasileira. O mesmo pode e irá acontecer na comparação com vários outros veículos em regime CKD. Portanto, o pensamento mais lógico que muitas pessoas terão é: “pela garantia, pós-venda e tudo mais, irei comprar no Brasil, pois pesa mais na balança”.

Pois pense de novo.

Comparando a qualidade dos importados contra os nacionais ou nacionalizados

E não falo dos importados por concessionárias. Falo dos importados independentes. Um importado que foi fabricado fora do Brasil tem um controle de qualidade muito melhor, principalmente se foi fabricado em solo norte americano ou europeu. As políticas de segurança lá são muito mais severas do que aqui. Como eu sei disso?

Gosto de usar exemplos nas minhas comparações: em minhas pesquisas, me deparei com os testes de segurança de veículos no Brasil. Um carro, o Golf, me chamou muita a atenção.

O Golf no Brasil ganhou uma nota baixa em segurança. O mesmo Golf, alemão, ganhou uma nota alta. Como pode isso? A justificativa foi dada por um engenheiro da montadora: enquanto na Alemanha, por lei a empresa tem de reforçar todas as soldas 20, 30 vezes, no Brasil ela faz o mesmo processo 10 vezes. Isso pra baratear o produto e também porque o Poder Público não se impõe para mudanças.

Junte isso a vários itens de série que não saem nos modelos nacionalizados ou das concessionárias. Os “atrasos” tecnológicos dos modelos lançados aqui. Você pagará a mais ou quase o mesmo preço, no caso do CKD, por um produto pior.

Então, a primeira vantagem ao comprar um importado: garantia de um produto melhor.

Além disso, fui em uma rápida visita a alguns sites brasileiros que mostram veículos importados e norte americanos. Aqui, na grande maioria das vezes, você fica preso a itens de série e poucas modificações no seu veículo importado. Nos sites lá fora, as opções são infinitas. Dá pra modificar muita coisa, agregar valor ao seu veículo e escolher uma versão atualizada, não a versão podre que vendem por aqui.

Um importado vai ser sempre melhor? Vai, mas não o da concessionária. Você tem que importar por conta própria, longe desses caras que querem te convencer que o carro deles e o serviço deles é melhor.

Quando fica mais barato importar ou comprar no Brasil?

Em parâmetros objetivos, veículos no regime CKD ficam mais baratos de comprar aqui. Levando em consideração os fatores qualitativos, NUNCA é mais barato comprar no Brasil.

Importando o veículo, além de ter um produto de maior qualidade, você terá sempre um veículo que é uma geração ou mais a frente dos vendidos no Brasil. Você estará com um veículo que se desvalorizará pouco perante o mercado. Terá um bem mais durável. E também o status que muitos buscam, mas sem cometer a gafe de gastar mais por isso.

Portanto, fico por aqui com minha dica. Se você quer comprar um importado, pesquise bem antes. O processo de importação tem muitas “manhas” que precisam ser compreendidas antes da importação. Mas quando o veículo chegar, é só alegria.

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